segunda-feira, 18 de novembro de 2013
A Sedução do Pré-Sal
Embora o leilão do Campo de Libra já seja uma notícia fria, a sedução do pré-sal continua um assunto quente e assim permanecerá provavelmente por um tempo e interesse sem precedentes na economia brasileira. Por isso este espaço se dedica a refletir um pouco sobre essa mina que, como tantas outras, enriquece nosso território.
Vamos falar em mentalidades. Que há de diferente no pensamento dos séculos anteriores e no pensamento do século presente que tenha a ver com a exploração do petróleo, em especial do pré-sal? Resposta: o destino do nosso meio-ambiente. A exploração do pré-sal é uma sedução que, igual às explorações de nossos outros minérios, esquece o impacto ambiental que o petróleo afetará e nada a favor da correnteza do dinheiro fácil.
Seria muito bom que pelo menos se trouxesse essa discussão para a rede.
A História do Brasil é repleta de Eldorados, desde sua dita descoberta e a exploração dessas minas continua voraz, principalmente na Amazônia, onde os recursos desses minérios são exportados em sua maior parte para a China, Japão e Europa. O raciocínio de nossos governantes atuais continua sendo o mesmo dos nossos governantes dos séculos XVIII e XIX ao explorar nossas minas e entregá-las a Portugal e Inglaterra.
Não havia naqueles séculos nenhuma mentalidade que não fosse a da exploração e usufruto da riqueza. Hoje a sedução do pré-sal enfrenta na grande mídia crítica com essa mesma mentalidade. Na grande mídia e na ruas as pessoas estão preocupadas e se queixam quanto à porcentagem do Campo de Libra que foi destinada às companhias estrangeiras. E essa também parece que foi a discussão na rede.
Alaíde Xingu
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Os Peixes do Rio Madeira Desaparecem
Leia mais no blog xingu vivo para sempre , SE O POVO SOUBESSE / Observador Político.
Matéria publicada no EcoDebate, 20/01/2012.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Nós Cabanos
Leiam e confirmem.
ALGUÉM MORREU EM CUIPIRANGA
José Ribamar Bessa Freire
08/01/2012 - Diário do Amazonas
Quem é que morreu em Cuipiranga? Foi algum cuipiranguense ilustre? Por que o cemitério dessa modesta comunidade ribeirinha está lotado com tanta gente nesta manhã de domingo, 8 de janeiro de 2012? Eram previstas 250 a 300 pessoas que sairiam às 8h00 caminhando pelo trapiche. Quantas vieram? Quem são elas? Por que desfilam, tão compenetradas, entre covas, tumbas e jazigos? Onde vão depositar as coroas de flores que carregam? De quem ... Clique aqui para ler mais sobre esta crônica http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=954
terça-feira, 14 de junho de 2011
O Cometa (Conto Poético Psicológico - Final)
Supernova
domingo, 29 de maio de 2011
O Cometa (Conto Poético Psicológico - Continuação)
Se os corpos celestes não se movimentassem muito no céu, ou apenas alguns viajassem, talvez a história fosse outra.
Mas as luas giram ao redor dos planetas; e os planetas giram ao redor das estrelas; e as estrelas também se movem nas galáxias; as galáxias, constelações, nebulosas, também dançam no colosso magnífico do Universo Sideral. Todo astro, pequeno ou gigante, se move. E toda essa movimentação é harmoniosa e esplêndida que não há como não se ouvir uma maravilhosa sinfonia conduzindo os contra-passos desse balé perfeito. (Apenas os meteoros fogem dessa harmonia perfeita.)
Fosco fez outras amizades e encontrou alguns que ele achou que não valia a pena ter como amigos. E houve outros que ele achava que deveria fugir deles. Mas sobre isso até que agora ele ia indo bem.
Porém, ele andou ouvindo, atento nas conversas, mas sem fazer muitas perguntas, algo que o aterrorizava. E toda vez que isso acontecia Fosco seguia adiante sentindo como nunca o quanto um cometa anda só em seu percurso. Às vezes, isso acontecia quando ele estava numa volta em seu pepino oposta, muito, muito distante de sua Luz.
- Ora, sou ágil. Não sou alvo fácil. Posso queimar, posso fugir.
E, pensando estas coisas, seguia imaginando-se em mil situações, em combates, e - veja - se saindo herói.
Mas ele bem sabia, tinha ouvido muitas vezes (não dava pra fazer de conta que seria fácil) que grandes estrelas - estrelas !!! - haviam sido sugadas como pó estelar naquele obscuro, sinistro, absolutamente desconhecido, grande bueiro.
"Nada escapa" - era o que todos afirmavam.
"Ninguém consegue fugir!"
"Ninguém consegue sair!"
"Tudo some e nada volta ..."
Na sua jornada, ele passou muitas vezes pelo Astro. E sempre que o via ficava extasiado, pois se aproximava mais. Houve uma vez em que se aproximou tanto que esteve certo que ia mergulhar e nadar docemente naquela chama, naquela energia à qual ele mesmo pertencia e da qual havia sido feito.
Mas, quando parecia que isso ia acontecer, não aconteceu e lhe pareceu que precisava dar mais uma volta no pepino.
"Desta vez acho que será a última."
"Talvez eu volte a encontrar alguns amigos, quem sabe, o planeta azul!?" - e seguiu pensando em coisas boas que aconteceriam logo à frente, coisas que o animassem.
"Tudo afinal depende do balé do Universo."
E seguiu veloz, veloz o quanto pode um cometa meio distraído, mas que tem um alvo.
Encontrou, sim, velhos amigos. Conheceu novos. Viu coisas belas. Enfrentou pequenos perigos e, satisfeito - orgulhoso mesmo, por que não? - saiu-se muito bem.
Ria, muitas vezes, pois há muita coisa engraçada no céu: constelações, por exemplo. Também levava sustos uma vez ou outra, mas isso acontecia principalmente porque se desorientava fácil. Mas, enfim, já havia aprendido que era preciso ter senso de humor.
Muito vagarosamente, porém, ele começou a perceber que havia algo errado, como uma má notícia que as pessoas não ousam ou não querem contar.
E isso ele começou a perceber sem entender. Ele notava pelas expressões daqueles a quem encontrava na sua rota.
Aos poucos, conforme seguia em frente, essas expressões se tornaram mais freqüentes e houve mesmo quem baixasse os olhos ao vê-lo.
Logo ele passou a ouvir um rumor que entendeu que tinha a ver com ele em algum sentido.
Mas Fosco tinha uma trajetória e seguiu bem reto em seu rumo. Firmou seus olhos adiante e foi quando ele viu, ainda muito longe, mas - não havia nenhuma chance de ser diferente - bem na direção de seu percurso, estava aquilo que aterrorizava não somente a ele, mas a todos - gigantes ou insignificantes corpos do Universo: o sinistro e em seu interior absolutamente desconhecido Buraco Negro.
A luta de Fosco começou desde o momento em que viu o Buraco Negro. Se formos honestos, devemos dizer que sua luta já havia começado muito antes, quando ouviu as primeiras notícias de sua existência e poder e precisava ser sereno e não ceder ao medo.
Mas, agora que o via à sua frente e lhe era inevitável, sabia que estava a um passo do desespero. Então se concentrou em não se desesperar e - pequeno como era - lutou como um gigante tentando fugir do poder que o sugava para o desconhecido, o formidável despenhadeiro.
O Buraco Negro, porém, não faz distinção de tamanho, força ou cor. Ele pode e, se quiser, suga qualquer um; e ninguém pode negar isso ...
Fosco aos poucos foi sumindo.
(Continua no próximo post)
Conto da escritora amazônida Alaíde Xingu
terça-feira, 17 de maio de 2011
O Cometa (Conto Poético Psicológico)

Esta é uma história que sou forçada a contar, pois o personagem principal, que eu conheço pessoalmente, há um longo tempo insiste que eu a conte.
- Há alguém que a quer ler - diz ele.
Eu tenho as minhas dúvidas, pois esta é uma história sobre astros, galáxias, espaço sideral, embora não seja uma história de ficção científica. E nem mesmo de ficção, porque o espaço, o céu e nós somos um bocado parecidos.
Há muito em comum entre o céu e nós, bem mais do que podemos ver (quem disse isso foi alguém muito mais sábio e famoso que eu, mas quem foi essa pessoa e quais palavras ele usou, não demorará, vocês logo descobrirão).
Tudo aconteceu numa galáxia conhecida. Não vou dizer qual, pois seu nome não é assim tão importante, mas digo que talvez seja a mesma sua. Realmente, não é impossível que seja a sua.
Contudo, não pense que é fácil entender de que galáxia estou falando. Muitos se enganarão achando que é, provavelmente, a mais óbvia. Mas não é. Esta galáxia a que me refiro não é tão fácil de ser identificada. Mas, quando a conhecemos, se chegamos a percebê-la, não a esquecemos, não a queremos deixar jamais. E até somos capazes de heroísmos - de certa forma, loucuras - por ela. Logo você pode ver como ela é especial.
Vivia um cometa nessa nossa galáxia. Não um grande e importante cometa, como o Halley. Decididamente, não. Era um pequeno cometa. Eu gostaria muito de poder dizer que ele era esperto, lógico, prático.
Qualquer cometa entende bem o que digo.
Mas, embora ele chegasse de vez em quando a se achar assim, de fato ele não o era. Era até desajeitado. E, muitas vezes, desorientado na sua trajetória. E isto é meio vergonhoso para um cometa, já que todo cometa tem sua trajetória bem definida. É preciso dizer, porém, em defesa dele, que o espaço é muito aberto, a rota de um cometa é longa, e - fique muito bem entendido, para que ninguém se apresse a desdenhá-lo - que cada cometa é que sabe os próprios perigos que enfrenta no espaço!
No entanto, o importante a contar não é tanto a galáxia, nem mesmo o cometa. O que é importante nesta história é a sua trajetória. Ele girava, como todo cometa, em torno de um grande astro luminoso, fulgurante e poderoso fazendo uma volta parecida não com uma grande laranja, nem com um ovo gigantesco, mas parecido com um muito, muito, muito enorme mesmo, pepino.
E aquele cometa adorava o seu Astro, sua Luz, sua Estrela, seu Sol, sua Energia - chame-o como quiser, fique à vontade.
Pensar no Astro, em seu tamanho imenso, em sua energia, fazia seu coração de cometa feliz rir e, realmente, - embora nem todos entendam - até gargalhar em sua viagem.
Às vezes, porém, também o fazia se acabrunhar. Cada vez que ele estava no ponto mais distante do Sol em seu itinerário no imenso pepino, havia uma saudade, uma saudade dolorida. Achava que não ia conseguir se aproximar de novo.
A trajetória é o que mais importa porque ela era toda a vida daquele cometa: vindo perto do Astro, que ficava numa das pontas do pepino e indo longe, muito distante na outra ponta do pepino que eu - que nada sei de Astronomia - não posso medir no Universo. Então, sua trajetória, além de ser toda a sua vida, era também sua alegria e sua dor. Seu frio, seu calor.
Quando sabia que era hora de se afastar e ser exposto aos males do espaço, ele estremecia. Mas era assim que era. Sabia que aquela era a rota para passar bem perto novamente de sua Estrela, e isto ele queria mais que tudo. Um dia, ele passaria tão perto que seria atraído cabalmente e sua chama se uniria à chama da Luz. Esse era seu rumo.
E, enquanto isso, havia muitas coisas legais para se ver e amigos novos para fazer.
Certa vez, ele passou perto de um planeta e ficou deslumbrado.
- Que lugar bonito!
O planeta era, de fato, habitado, rico de vida e beleza. E logo o cometa pensou em si, solitário, sem uma única plantinha para regar!
Mas isso ele resolveu fácil. Bastava não pensar. Afinal, o planeta não tinha uma cauda como a sua, não iluminava a escuridão, não passava tão perto do Astro ...
Um perigo de quando começamos a fazer comparações e enumerar aquilo que somos é o risco de fantasiarmos e incluirmos o que não somos em nossa lista. E Fosco - este era o seu nome - às vezes gostava de fantasiar sobre si mesmo.
Mas ele achou aquele planeta vivo tão simpático e agradável que sua mente ficou absolutamente desocupada, tão absorto se encontrava em admirar tanta beleza.
- Olá! - disse o planeta saudando-o com um sorriso amigável.
- Oh!, desculpe minha distração. Olá!
- Quem é você? Posso perguntar?
O planeta era bem educado.
"Sou um cometa em órbita
rumo ao dia em que mergulhará
na energia do Sol,
que é energia como eu.
Uma volta e ele lá longe ...
De repente, aqui muito perto!
Sou um cometinha em órbita,
rumo ao Sol, isso é certo!"
Este era um poeminha que Fosco criara e gostava de repetir para si mesmo ao atravessar o horizonte sideral, e, ali, para aquele planeta tão amigo, Fosco pensou em recitá-lo como resposta à pergunta. Mas na hora apareceu uma bola na garganta e saiu apenas isto:
- Sou Fosco, um cometa.
- Ah, Fosco, que bom conhecer você! Muitos cometas passam por aqui, alguns muito perto, outros bem distante. Ainda não havia visto você ...
- É por causa do balé do Universo ...
- É verdade, o balé ...
- Você é bem bonito! Eu venho admirando sua cor azul ainda de bem longe ... Você deve ter uma saúde ótima!
Contudo, mal Fosco disse isso, o planeta sem querer - ele era bem educado, como já foi dito - não se conteve e tossiu:
- Cof!
- Ah, deve ser só um resfriado - disse Fosco.
- Cof! Cof! Cof!
E o planeta repentinamente teve um ataque de tosse que lhe deixou de um azul quase roxo e Fosco ficou completamente sem graça, achando que devia dizer algo gentil.
- Vai passar ... Deve ser o ar ... - tentou o cometa.
- E é! É o ar! É sempre o ar, Fosco, a atmosfera, nós e nosso ambiente.
- Você sabe o que fazer nesse caso?
- Há muito que se possa fazer, e mesmo quando parece que não há mais nada que se possa fazer ainda podemos sonhar. Tudo sempre começa ou se abre com um sonho.
- Não sei se voltarei a encontrar você. Você sabe, por causa do balé do Universo, mas você conquistou toda a minha simpatia e afeição. E isso vai permanecer.
E os dois amigos se separaram.
Porque no Universo às vezes amigos precisam se separar.
(Continua no próximo post)
O Cometa, conto de Alaíde Xingu
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Comentário que merece um post
Por qi150 em O LUGAR QUE NOS QUER (CONTO PSICOLÓGICO) em 01/04/11
sexta-feira, 18 de março de 2011
A Hipotética Força da Amazônia (2o. post a propósito da imagem que o Sul e Sudeste têm de que nossos rios são fortes para sustentar seu alto consumo de energia elétrica)
Fica no ar a pergunta imediata: não há exagero no alarme quanto à seca dos rios da Amazônia, seca essa tão explorada pelos oponentes da construção da Usina Hidroelétrica de Belo Monte? Não é óbvio que o Sudeste se expõe demais construindo usinas nucleares quando o Brasil possui grandes rios como os da Amazônia onde pode construir usinas hidrelétricas que ponham menos risco à população?
Mas eu, que nasci na Amazônia e tenho os olhos úmidos em enchentes e vazantes desde a infância me pergunto o significado não desta grande enchente do rio Tocantins e de nossos rios, mas o que vai pelos olhos molhados de abismo de nossos caboclos ao verem as assombrosas enchentes e vazantes atuais.
Faço este comentário porque estive há dois anos no rio Tocantins e ouvi de ribeirinhos sobre as mudanças ocorridas no rio nas últimas décadas. São enchentes repentinas que são drenadas mais repentinamente ainda; são areiais que se multiplicam pelo leito do rio dividindo-o em dois estreitos canais nas secas assustadoras; são os peixes que se vão escasseando e deixando sem sobrevivência quem deles se alimenta ou extrai o sustento de sua família.
Gostaria de dizer que isto não faz parte de um canto de guerra, assim como gostaria de dizer que a Amazônia não é uma colônia subjugada à exploração. Mas assim como fazer esta afirmação seria esconder nossa realidade, nossos irmãos indígenas do rio Xingu não permitem mais que se fale também daquela forma: - É guerra, sim, dizem eles, por sobrevivência.
E aqui cabe falar sobre usina nuclear que também gera o sentimento de sobrevivência, imagino, nos habitantes do Rio de Janeiro, principalmente. Quando falamos em energia e temos uma população numerosa como a do Brasil pensamos imediatamente que a demanda por energia elétrica cresce assustadoramente e é preciso satisfazer essa demanda construindo mais usinas. Mas uma alternativa simples seria a mudança de hábitos, simples tal como lavar as mãos; adotar-se novos procedimentos em nível doméstico e industrial que gere economia e queda de consumo de energia elétrica. Essa tem sido uma das chaves dos países que têm adotado uma postura mais séria a fim de conseguir algum desempenho nas questões ambientais.
A mudança de hábitos - tal como adotar atividades de lazer como a leitura e o exercício físico que não gerem gasto de energia elétrica - é uma alternativa simples em termos de gastos financeiros, mas não fácil. A vida simples pode causar desconforto para quem gosta de glamour, por exemplo.
O fato é que estamos chegando num tal ponto da vida no nosso planeta que não podemos recuar. E o movimento das placas tectônicas continuam e vão continuar causando os tsunamis que estão espreguiçando o globo terrestre. O que significa isso? Pergunto, eu também, cabocla de olhos marejados. Significa exatamente o que todos estamos vendo acontecer no Japão e que pode acontecer em qualquer parte do planeta.
Então, as mudanças das placas tectônicas são inevitáveis e elas estão dirigindo nosso futuro na Terra? Elas são inevitáveis, mas somos nós que estamos pisando firme no acelerador. Aceleramos já. E não podemos recuar. Mas podemos desacelerar. Só uma coisa é coisa é certa: se não mudarmos nossos hábitos por amor, a nós e a nossos filhos, seremos obigados a mudá-los pela dor. Mas que iremos enfrentar o futuro, isso, infelizmente iremos.
quarta-feira, 16 de março de 2011
comentário feito ao post A Hipotética Força da Amazônia - texto da obra Samaúma
domingo, 16 de maio de 2010
Sobre Chris Martin, os quilombolas de Alcântara e o céu
Dê-me força, auto-controle
Dê-me coração e dê-me alma
Dê-me amor e dê-nos um beijo
Conte-me sobre sua própria política
Volte seus olhos
Volte seus olhos
Volte seus olhos
Dê-me um, porque um é melhor
Numa confusão, confissão
Dê-me paz de espírito e confiança
Não esqueça o que sobrou de nós
Dê-me força, auto-controle
Dê-me coração e dê-me alma
Feridas que cicatrizem
Destruição que pode ser consertada
Volte seus olhos
Volte seus olhos
Volte seus olhos
Apenas volte seus olhos
Mas me dê amor acima de tudo, me dê amor, me dê amor acima de tudo isso ...
No Maranhão, Amazônia Legal, o Centro de Lançamento Alcântara (CLA) obteve, afinal, nesta semana a licença prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a instalação do projeto de implantação do Complexo Terrestre Cyclone IV.
Nesse Complexo será instalada uma base de lançamento de foguetes e construída a área de armazenamento de oxidantes, combustíveis e o prédio auxiliar. O Alcântara Cyclone Space é um consórcio do Brasil com a Ucrânia. Sim!, a Ucrânia da extinta União Soviética; a Ucrânia da velha corrida espacial; da Chernobyl que sofreu o acidente nuclear contaminando pessoas, animais e o meio-ambiente, invadindo grande parte da Europa em 1986; a Ucrânia de tecnologia espacial de ponta - mas é preciso enfatizar: tecnologia de ponta durante a Guerra Fria, isto é, 40, 50 anos atrás.
Os quilombolas vizinhos e nós amazônidas em geral devemos estar entusiasmados. Esse é exatamente o perfil do projeto que devemos estar precisando.
Volto a ouvir a música do Chris Martin e penso no que é que precisamos, naquilo que nos faz soltar gritos sufocados olhando o Espaço para muito distante das órbitas dos satélites.
Os investimentos feitos pelas nações na conquista do céu me fazem afundar em perplexidade, seja pelos valores astronômicos, seja pela complexidade científica envolvida. E assumo: as notícias que nos chegam sobre a tecnologia de comunicação, as sondas cruzando o infinito em sua missão sem volta, os telescópios portentosos, as imagens de um mundo que me surpreendo ainda achar que devem ser povoados por mitos, por deuses, me deixam de olho vidrado nas páginas do informativo, na tela da TV, no widescreen, tão espetacular nos é um contato assim próximo com aquele mundo de eternidades; nós, nós!, formiguinhas de açúcar... Eu sou encantada com as conquistas do Espaço.
No meu campo de visão, entre os registros clicados pela sonda Hubbles, se confundem outras fotografias. São fotos desencantadas que habitam os arquivos de minha memória e denunciam crianças em alguma nação remota da África. Imediatamente, um raciocínio no melhor estilo nazi argumenta comigo. Racionaliza esse argumento que essas são duas situações distintas e as crianças da África estão em um outro plano de investimento.
É..., deve ser. E, provavelmente, os quilombolas vizinhos de Alcântara também devem estar nesse outro tal plano de investimento.
A música de Chris Martin continua tocando e as lentes grossas e potentes do poeta do Coldplay prosseguem sondando o Espaço. Mas ele não enxerga satélites e planetas. Suas lentes rastreiam a alma. E, chocado com os registros documentados ao rastreá-la, então, como um homem primevo indiferente aos satélites, aos sistemas interplanetários, aos mistérios físicos do céu, no oceano cósmico ele procura por ajuda para aquilo que o sufoca, clama por quem possa implantar a política utópica cujo vácuo lhe causa tantas dores e diz do que realmente precisa.
Volto para Alcântara e o projeto da base espacial brasileira Cyclone.
Não somos mais um homem primevo.
... Somos?
A nossa casa chamada Terra, como anda? Quais são suas perspectivas? Aonde estamos indo e já próximos de chegar?
Se fazemos esse tipo de sondagem e os registros obtidos nos chocam, de que, então, realmente precisamos? Que política nos é urgente?
sábado, 8 de maio de 2010
Éden II
O Jardim! Ah, sim, o jardim! Vejo, antes de tudo, sementes secas. Logo serão vulneráveis mudinhas. Uma castanheira já foi uma vulnerável mudinha. Quantos anos levou para olhar acima da floresta? Quando deixou de ser vulnerável ... ?
Trecho de Os Anos que foram Consumidos, de Alaíde Xingu.
Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito ...
Shakespeare, Hamlet
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Bertolt Brecht na Amazônia

Não vou às minas, mas irei aonde as minas forem. Não enriquecerei com árvores no chão, mas posso tombar junto a elas. Sou levado sem retorno nos longos espectros da luz verde de minha esmeralda gigante - como toras já sem valor.
Meu Eldorado? Esta é a história dele.
Uma história mágica que sempre me alegra, pois, como está escrito em seu começo, ele não é longe, não é nada longe. Ao contrário, esse reino é perto, é bem perto daqui.
Trecho final da obra O Grande Rei Sol, de Alaíde Xingu
quarta-feira, 5 de maio de 2010
comentário anônimo
Recebi este comentário anônimo que muito me gratifica e estimula. Decidi postá-lo:
Parabéns pela reativação do blog, que é muito especial. Antes de Fernando Pessoa, Léon Tolstói já universalizava cada uma de nossas aldeias: "canta tua aldeia e serás universal", recomendou ele. O blog, portanto, tem padrinhos poderosos e uma líder delicada, perspicaz e sensível. Agora é não deixar de comparecer. Estamos ao lado.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Da minha Aldeia
Durante o Fórum Social Mundial em janeiro de 2009, em Belém do Pará, tive a oportunidade de ouvir diversos pontos de vista de indígenas, como o de José Carlos Arara. "Há várias maneiras de alcançar desenvolvimento sem destruir o meio-ambiente," diz ele, "deixando os parentes sem ter de onde tirar a água e o alimento para dar continuidade à sua própria sobrevivência."
José Carlos, assim como muitos outros indígenas, se posiciona com o olhar e o tamanho descritos pelo genial Fernando Pessoa.
"Da minha aldeia eu vejo o quanto
da terra se pode ver do Universo.
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que eu vejo,
e não do tamanho da minha altura."
Nunca estive na chamada Volta Grande, do Xingu, área que será afetada pela hidrelétrica, caso esta venha a ser concretizada. Mas decidi postar aqui algumas fotos, duas de minha autoria, que tirei durante o fórum. Por que essas fotos agora, mais de um ano passado o FSM? A razão é muito simples. Quero dividir um pouco com vocês a impressão que me invadiu ao ter contato com eles.
Dona Isabel Xerente, a senhora simpaticíssima e talentosa produtora de rico artesanato; Banhi-re Kaiapó, o jovem assessor da etnia Kaiapó, orgulhosamente assumido de sua origem e, também, um sonhador que enxerga o céu como limite; José Carlos Arara, rapaz que apresenta um olhar compenetrado ao falar do dilema que representa o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, e que lamenta acima de tudo a carência de acesso a uma educação mais avançada.
São eles pequenas imagens de uma grande aldeia que também vê o Universo; que é tão grande quanto outra terra qualquer; que é do tamanho de seu olhar e não de sua altura.
São eles pequenas imagens de uma aldeia que se senta em grande roda, e está sentada agora, e tem muito o que dizer sobre esse futuro que se chama breve e paira sua ameaça de abrir as comportas em setembro.
Meninos Carvoeiros

Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
- Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
- Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
-Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas
como espantalhos desamparados.
Manuel Bandeira
05/04/2010 - 15:59 - Da redação do Portal AZ / Agência Brasil - Fotos: SRTEO Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) embargou 33 empresas, entre siderúrgicas e transportadoras de carvão no país. A ação faz parte da Operação Corcel Negro, realizada entre os dias 22 e 31 de março, que tinha o objetivo de fiscalizar o transporte, a produção e o consumo de carvão.
O Pará foi o campeão de irregularidades com um total de R$ 266,9 milhões em multas e 250 fornos destruídos, seguido por Minas Gerais, pelo Mato Grosso do Sul, pelo Paraná, pela Bahia, pelo Maranhão e pelo Piauí.
terça-feira, 20 de abril de 2010
ESPINHOS DE PORCO-ESPINHO
Tenho nariz miúdo. Me chamam de sonso porque pareço macio e inofensivo. Mas eu sou macio e inofensivo.Quando estou calmo.
E eu sou calmo. Os outros é que me deixam nervoso.
Nervoso. Não agressivo.
Veja. Estou roendo o meu almoço na paz do mundo. Então ele aparece latindo e babando chibante. O cachorro.
Eu dou ré, simplesmente. Acerto nos dentes. Fico com pena depois. Aqueles espinhos todos na boca, no focinho.
E aquele choro!
Mas já foi. Nasci com meus espinhos. E eles, calmos, são bem macios e fofinhos. Eu sou fofo.
Peguei má fama, é verdade. Quem nunca viu uma foto minha imagina um catitu. Mas isso até me dá sono.
É intriga do cachorro.
Só que, às vezes, eu queria ser paparicado. Sabe como é ... eu vejo nuns colos uns coelhinhos ...
Hmm ... dóem meus espinhos ... Eu sou macio e inofensivo! Penso muito nos coelhinhos. E fico nervoso.
Nervoso, não agressivo.
Como a gente engana a nós mesmos!
Alaíde Xingu
terça-feira, 24 de março de 2009
Raposa Serra do Sol

Muitas vezes tomo uns instantes de meu dia imaginando a realidade desses indígenas.
terça-feira, 17 de março de 2009
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa
ver-teverde
nascente do rio XinguMe parece que, antes de tudo, o nome.
Ver-teverde.
Ver-teverde, Amazônia.
Espero com este nome dizer muito sobre mim e sobre o que espero que este blog seja.
Aqui quero postar meus ensaios como jornalista, textos literários meus e de gente que teve muito a dizer - como Fernando Pessoa -, notícias sobre essa floresta que amamos de uma forma que só a ama quem nela nasceu, se criou e aguarda ser entregue ao seu solo. E depois disso, do fundo de seu solo, seja ele rico ou pobre, quem sabe germinar ainda.
Germinar e ver-te ainda verde.







